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A figueira na Bíblia: o que ela realmente significa

Ela aparece logo no início da história e também quase no fim, em cenas que não têm quase nada em comum entre si. Um par de folhas costuradas num jardim. Uma árvore que um jardineiro não quer desistir. Ramos tenros que avisam que a estação está mudando. A figueira volta a aparecer várias vezes na Escritura, e cada vez diz algo um pouco diferente — e um pouco mais silencioso — do que se esperaria.

A primeira coisa que alguém alcançou

O primeiro uso de uma figueira na Bíblia não tem nada a ver com dar fruto. Em Gênesis 3, logo depois que Adão e Eva comem da árvore que tinham sido avisados a deixar em paz, "abriram-se os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais" (Gênesis 3:7). É um detalhe estranho para se deter, mas ele diz algo verdadeiro sobre a vergonha: ela alcança o que está mais perto. As folhas de figueira são largas, estão à mão, dão para uma primeira tentativa de cobrir algo que você ainda não sabe como carregar. Não é uma solução. É só o que duas pessoas assustadas conseguiram fazer naquele momento — e a Bíblia não zomba delas por isso.

Uma árvore que ganha mais tempo

Séculos depois, Jesus conta uma parábola curta sobre uma figueira que já faz três anos que não dá fruto. O dono quer cortá-la — para que ela continue gastando a terra? Mas o jardineiro pede mais um ano: "Deixa-a este ano ainda, até que eu a escave em redor, e lhe ponha estrume; e, se der fruto, bem, e se não, depois a mandarás cortar" (Lucas 13:8-9). Ninguém na história finge que a árvore vinha se saindo bem. O pedido não é para o dono baixar as expectativas. É só um pouco mais de tempo, e alguém disposto a cavar em volta das raízes enquanto isso.

Aprender a ler a estação

Mais adiante, Jesus aponta para a mesma árvore por um motivo completamente diferente — dessa vez não é julgamento, é só atenção. "Aprendei, pois, da figueira a parábola: Quando já o seu ramo se torna tenro e brota folhas, sabeis que está perto o verão" (Mateus 24:32). Figueiras florescem tarde; ramos nus quase o ano inteiro, e de repente uma maciez que avisa que tudo está prestes a mudar. Cantares usa a mesma imagem para uma estação mais terna: "a figueira já deu os seus figuinhos... levanta-te, amiga minha... e vem" (Cantares 2:13) — a primavera chegando no seu tempo certo, sem que ninguém a apresse.

O que a árvore está realmente dizendo

Colocadas lado a lado, essas cenas não falam tanto da pressão de dar fruto — essa é a leitura moderna, achatada. Falam do tempo. Um par de folhas apanhadas cedo demais, antes que alguém soubesse nomear o que tinha acontecido. Uma árvore que ganha uma estação que não tinha conquistado. Ramos que amolecem bem antes de alguém anunciar o verão em voz alta. A Escritura volta a essa árvore de novo e de novo porque ela cresce no seu próprio tempo, e toda história sobre ela acaba sendo, no fundo, uma história sobre paciência — a de outro, ou a sua.

Isso é mais leve de carregar do que quase tudo que um dia comum traz. Você não precisa fazer as folhas brotarem antes da hora, nem provar que o fruto já vem antes de estar pronto. Em algumas estações, a coisa mais honesta que você pode fazer é continuar plantado e deixar as raízes fazerem seu trabalho lento, debaixo da terra, onde ainda ninguém está olhando.

Um dos 84 mostradores desenhados à mão do Bible Clock traz um versículo sobre estações e coisas que crescem — um pequeno lembrete quieto para os dias em que você precisa lembrar que ainda-não não é o mesmo que nunca.