O que o incenso significa na Bíblia?
A maioria de nós só encontra o incenso uma vez por ano, num presépio, nas mãos de um rei mago pintado. É fácil deixá-lo ali — um adereço, uma rima com a mirra, um detalhe que não olhamos com muita atenção. Mas o incenso tem uma vida bem mais antiga nas Escrituras do que Belém, e conhecer um pouco dela enriquece a história do Natal sem transformá-la em tarefa.
Muito antes dos magos, o incenso já era sagrado. Em Êxodo, Deus dá a Moisés uma receita precisa do incenso que arderia no tabernáculo — especiarias bem moídas, com incenso puro entre elas — e adverte que aquela mistura exata não deveria ser copiada para uso comum (Êxodo 30:34-38). Não era um perfume de casa. Era separado, queimado só no altar, de manhã e à tarde, uma fragrância que pertencia ao culto e a mais nenhum outro lugar.
Vinha de muito longe e custava caro por isso mesmo. A resina é colhida cortando a casca da árvore Boswellia, que cresce sobretudo no sul da Arábia e no Chifre da África, deixando a seiva endurecer em lágrimas cor de âmbar antes de serem raspadas à mão. Quando chegava a Jerusalém, já tinha atravessado um deserto numa caravana. Isaías imagina essa mesma rota ao contrário — nações que chegam a Sião "trazendo ouro e incenso" como tributo a um rei que há de vir (Isaías 60:6). Séculos depois, quem conhecia esse versículo terá ouvido o eco dele assim que viajantes do Oriente chegaram com exatamente esses dois presentes.
Essa raridade explica em parte por que o incenso virou uma imagem tão natural para a própria oração. "Suba a minha oração como incenso diante de ti", escreve o salmista, "o levantar das minhas mãos como o sacrifício da tarde" (Salmos 141:2). Algo sólido — uma resina endurecida, raspada de uma árvore — é tocado pelo fogo e vira fumaça, que sobe, se espalha, desaparece para o alto. Você não pode segurá-la nem trazê-la de volta. Ela simplesmente é entregue. Não é uma má descrição da oração num dia comum: você a diz, a solta, e confia que ela sobe para algum lugar que você não vê.
O incenso reaparece nas ofertas de Levítico, colocado sobre o cereal trazido ao altar (Levítico 2:1-2), e no Cântico dos Cânticos, onde o amado é descrito como "um monte de mirra" e "um outeiro de incenso" (Cântico dos Cânticos 4:6) — a fragrância como figura da saudade, de alguém por quem vale a pena atravessar a distância.
Por isso, quando os magos abrem suas bolsas em Mateus 2 e apresentam ouro, incenso e mirra, não estão escolhendo ao acaso. Quem conhecia bem as Escrituras teria percebido logo as camadas: ouro para um rei, mirra para um corpo que um dia seria preparado para o sepultamento, e incenso para um sacerdote — para uma vida que, de certo modo, seria derramada sobre um altar. Três presentes, uma criança, e uma história que já apontava, em silêncio, para além da manjedoura.
Ele aparece mais uma vez perto do fim da Bíblia, em Apocalipse, onde um anjo oferece incenso "com as orações de todos os santos" que sobem diante do trono de Deus (Apocalipse 8:3-4) — a mesma imagem do Salmo 141:2, agora ampla o bastante para conter toda oração já sussurrada, não só a de um salmista.
Nada disso precisa ser decorado para importar. Você não precisa explicar o incenso a ninguém para que a imagem faça seu trabalho silencioso: algo comum, tocado pelo fogo, subindo sem barulho. É parte do motivo pelo qual o Bible Clock guarda um pequeno Altar do Incenso entre seus 84 mostradores desenhados à mão, ao lado dessa mesma linha de Salmos 141:2 — uma imagem, não uma lição, para quando o seu dia precisar dela.
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