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A romã na Bíblia: um símbolo silencioso de abundância

Você corta uma e aparecem centenas de sementes vermelhas, bem juntas, brilhando. Muito antes de alguém pensar em usá-la para enfeitar uma salada, essa abundância já dizia tudo.

Costurada na barra, não dita em voz alta

Êxodo 28:33-35 detalha o manto que o sumo sacerdote usava ao entrar no tabernáculo: romãs tecidas em fio azul, púrpura e escarlate ao redor da barra, alternadas com pequenos sinos de ouro. Os sinos tocavam — a Escritura diz isso sem rodeios, "para que se ouça o som quando ele entrar... e não morra" (Êxodo 28:35). As romãs nunca soam. Elas só ficam ali, fruta costurada no tecido, sem fazer nada além de estar presente.

É um detalhe estranho para uma peça feita para um dever tão solene, mas talvez esteja aí o ponto: nem tudo que importa precisa se anunciar. Parte do que uma vida carrega faz barulho. Outra parte simplesmente está ali, quieta, na barra.

Uma entre sete, e prova suficiente

Quando Moisés manda espiões a Canaã, eles voltam carregando uvas, figos e romãs como evidência — essa terra é real, e é boa (Números 13:23). Mais tarde, Deuteronômio 8:8 coloca a romã entre os sete alimentos que marcam a Terra Prometida: trigo, cevada, videiras, figueiras, romãs, azeite e mel. Ela não é destacada por nada espetacular. Está na lista porque crescia ali, ano após ano, com regularidade — um sinal pequeno entre vários de que aquela terra realmente podia sustentar um povo.

Esculpida na entrada

Quando Salomão constrói o templo, a romã já saiu do tecido e foi parar no bronze. Duzentas delas, fundidas em fileiras, decoram o topo das duas colunas gêmeas da entrada — Jaquim e Boaz (1 Reis 7:18-20). Quem entrava passava por baixo de uma fruta que nunca amadureceria de verdade, nunca cairia, nunca precisaria ser colhida. Ela só ficava ali, mantendo sua forma, marcando a soleira.

Onde os poetas a encontraram

O Cântico dos Cânticos recorre à romã duas vezes para descrever um rosto — "suas faces, por trás do véu, são como metades de romã" (Cântico dos Cânticos 4:3, 6:7). É um elogio estranho para os padrões de hoje, mas numa economia de pomares fazia todo sentido: ser comparado a uma romã era ser comparado a algo cheio, algo a que claramente não faltava nada.

Uma tradição judaica bem mais tardia conta as sementes dentro de uma romã e chega, às vezes, a 613 — o número tradicional de mandamentos na Torá. Ninguém apresenta isso como fato comprovado; é mais um costume popular, um jeito de notar que uma única fruta pode guardar muito mais do que mostra por fora. Seja qual for a contagem real, a intuição por trás dela é uma boa companhia.

O que ela realmente diz

Juntando as peças, a romã não fala de nada urgente. Nem vitória, nem resgate, nem um sinal que precise ser obedecido. Ela está mais perto disto: abundância nem sempre parece dramática. Às vezes parece uma fruta costurada numa barra que ninguém repara de perto, ou fundida em bronze sobre uma porta por onde as pessoas passam sem erguer os olhos.

É algo leve para carregar num dia qualquer. Sua plenitude não precisa ser barulhenta para valer.

Um dos 84 mostradores desenhados à mão do Bible Clock traz uma romã, ao lado do seu versículo — um lembrete pequeno e quieto de que a abundância não precisa de plateia.