Os doze apóstolos: quem foram e o que ainda resta de seus nomes
Você provavelmente já ouviu os doze nomes antes — numa leitura de domingo, num vitral, esculpidos na base da porta de uma igreja. Ditos assim, juntos, eles tendem a se misturar numa única palavra: os doze. Mas cada um foi uma pessoa concreta, chamada num dia concreto, e os Evangelhos guardam lembranças suficientes da maioria deles para que nunca desapareçam de vez dentro do grupo.
Chamados à beira de um lago
A maioria era pescador. Jesus encontrou Simão e André lançando a rede no mar da Galileia e disse apenas: "Vinde após mim" (Mateus 4:19). Um pouco mais adiante, na mesma margem, Tiago e João deixaram o pai remendando as redes no barco e foram embora. Ninguém conferiu currículo. Ninguém perguntou para que estavam qualificados. O chamado durou duas palavras, e bastou.
Doze, de propósito
O número não foi por acaso. Israel se contava em doze tribos desde os filhos de Jacó, e Lucas registra que Jesus passou uma noite inteira em oração antes de escolher exatamente doze dentre a multidão maior de discípulos que o seguia (Lucas 6:12-13). Lê-se como alguém colocando uma pedra de fundação atrás da outra, de propósito — não estava juntando admiradores, estava montando algo feito para sustentar peso.
Doze pessoas, doze histórias
- Pedro — apelidado "a Rocha", o primeiro a dizer em voz alta que Jesus era o Cristo, e mais tarde o que negou conhecê-lo três vezes antes que o galo cantasse.
- André — irmão de Pedro, silenciosamente o primeiro a começar a seguir Jesus.
- Tiago e João — filhos de Zebedeu, apelidados "Filhos do Trovão" por um temperamento que certa vez quis fazer cair fogo sobre um povoado.
- Filipe — aquele que continuava pedindo mais: "Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta."
- Bartolomeu, também chamado Natanael — encontrado descansando debaixo de uma figueira, surpreso por ter sido notado.
- Tomé — lembrado sobretudo por uma tarde de dúvida, não pelos anos de fé ao redor dela.
- Mateus — um cobrador de impostos, o tipo de homem que a maioria atravessava a rua para evitar.
- Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu — dois que quase nada deixaram nos Evangelhos além do próprio nome.
- Simão, o Zelote — antes parte de um movimento que queria expulsar Roma pela força, não pela persuasão.
- Judas Iscariotes — aquele cuja história termina antes da dos outros.
Enviados, não apenas escolhidos
A palavra apóstolo vem do grego apostolos: alguém enviado. Ser escolhido foi só a primeira metade. Depois que a crucificação os dispersou com medo, esses mesmos homens comuns se tornaram os que levaram a história adiante, com a própria voz, a lugares que de outra forma nunca teriam razão para visitar. Pescadores e um cobrador de impostos, lembrados por séculos não porque fossem extraordinários desde o início, mas pelo que lhes foi confiado carregar.
Entre os oitenta e quatro mostradores desenhados à mão do Bible Clock, alguns ecoam o que os apóstolos deixaram para trás — uma rede de pescador, um pequeno molho de chaves, uma mão aberta que pergunta. Não é preciso lembrar qual apóstolo carregava qual símbolo. Alguma manhã, um deles simplesmente vai chamar sua atenção, ao lado do seu versículo, enquanto você confere as horas. Isso basta.
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