O que é o Dia da Ascensão? Uma ponte tranquila entre a Páscoa e Pentecostes
Quarenta dias depois do Domingo de Páscoa, numa quinta-feira que a maioria dos calendários nem sequer marca, a Igreja recorda algo fácil de passar despercebido: o dia em que Jesus foi elevado diante dos olhos dos discípulos e levado ao céu.
Esse é o Dia da Ascensão — uma das festas mais antigas do ano cristão, e uma das mais silenciosas.
O que dizem os Evangelhos e Atos
A história é contada duas vezes, de forma breve, quase de passagem. No Evangelho de Lucas, o Jesus ressuscitado leva seus discípulos até Betânia, perto do Monte das Oliveiras, ergue as mãos para abençoá-los — e enquanto os abençoa, "foi elevado ao céu" (Lucas 24:50-51). O livro de Atos, escrito pelo mesmo autor, conta de novo com um detalhe a mais: enquanto os discípulos olham fixamente para o céu, uma nuvem leva Jesus da vista deles, e dois homens vestidos de branco fazem uma pergunta suave, quase bem-humorada — "Homens da Galileia, por que estais olhando para o céu?" (Atos 1:11)
Não há trovões nesses versículos. Não há um discurso de despedida dramático. Só uma bênção, uma nuvem e dois mensageiros que trazem os discípulos gentilmente de volta à tarefa que têm pela frente.
Por que quarenta dias
Quarenta é um número ao qual a Escritura volta repetidas vezes — quarenta dias de chuva no dilúvio, quarenta anos no deserto, quarenta dias que o próprio Jesus passou em jejum antes de começar seu ministério. Marca uma temporada completa de preparação, não uma contagem qualquer. Os quarenta dias entre a Páscoa e a Ascensão deram aos discípulos tempo para ver o Cristo ressuscitado, comer com ele, fazer suas perguntas — antes que ele pedisse que seguissem em frente sem vê-lo.
Uma dobradiça, não um fim
Seria fácil ler a Ascensão como uma nota triste — o momento em que Jesus vai embora. Mas os Evangelhos a apresentam de outra forma: como uma bênção, não como uma despedida. Jesus não tanto partiu quanto foi adiante, e deixa aos discípulos uma promessa: esperem em Jerusalém, e serão revestidos de poder do alto. O Dia da Ascensão existe no calendário como uma dobradiça entre duas festas — a ressurreição da Páscoa e o Espírito de Pentecostes — separadas por dez dias tranquilos. É menos um fim do que uma respiração suspensa.
Como as igrejas celebram
Como a Ascensão sempre cai numa quinta-feira, é uma das festas menos frequentadas do calendário cristão — muitas congregações transferem sua celebração para o domingo mais próximo. Onde é guardada, o clima se parece mais com a Páscoa do que com a Quaresma: paramentos brancos ou dourados, hinos de ressurreição, às vezes uma leitura da passagem de Atos ao ar livre, com os olhos erguidos como os dos discípulos. É uma festa sem muita cerimônia, e isso, de alguma forma, combina com ela. Os discípulos também não receberam um espetáculo — receberam uma bênção e uma pergunta, e depois voltaram a Jerusalém para esperar.
Esperar bem
Essa espera é, na verdade, o coração do Dia da Ascensão. Entre a Ascensão e Pentecostes, os discípulos não tinham nada a fazer além de orar juntos num cenáculo, sem saber exatamente o que viria a seguir. A maior parte do ano litúrgico avança rumo a algo — um nascimento, uma ressurreição, uma chama. A Ascensão marca a pausa antes do próximo passo, os dias comuns entre uma certeza e outra. É uma permissão tranquila para viver esse intervalo sem pressa.
O mostrador do ano litúrgico do Bible Clock também atravessa esse momento em silêncio — o branco do tempo pascal dá lugar, dez dias depois, à espera que leva a Pentecostes. Não há nenhuma tarefa a cumprir antes disso. Só uma temporada para habitar.