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O que é o Tempo Comum? A longa estação verde de que ninguém fala

Quase todo o ano litúrgico chama atenção. O Advento tem velas. A Quaresma tem cinzas. A Páscoa tem lírios e trombetas. E aí existem estas semanas — fim de julho, nenhuma festa à vista, nada a preparar — que a maioria dos calendários simplesmente pinta de verde e deixa quieta. Isso é o Tempo Comum, e é de longe a estação mais longa do ano litúrgico.

"Comum" não quer dizer sem importância

O nome vem de um pequeno acidente de tradução. Não vem de comum no sentido de banal, mas de ordinal — numerado. São as semanas contadas: o segundo domingo do Tempo Comum, o décimo quarto, o vigésimo terceiro, e assim por diante. A estação recebe o nome da sua aritmética, não do seu humor. O que tem certa graça e também certo acerto, porque contar é quase tudo o que ela te pede.

Dois trechos, não um

O Tempo Comum vem em duas partes. Um trecho curto vai do fim do tempo do Natal até o começo da Quaresma — algumas semanas de inverno no hemisfério norte. O trecho longo começa depois de Pentecostes e vai até a véspera do Advento, mais ou menos do fim da primavera até novembro. Juntos somam cerca de trinta e três ou trinta e quatro semanas. Mais da metade do ano é Tempo Comum. As estações que todo mundo sabe nomear são a exceção; esta é a regra.

Por que verde

Verde é a cor das vestes, das toalhas do altar, da fita do lecionário. A explicação habitual é o crescimento — a cor das folhas e dos campos no seu longo meio, passados os primeiros brotos e bem antes da colheita. Nem o drama do roxo penitencial, nem o brilho do branco das festas. Só a cor que as coisas têm enquanto seguem crescendo em silêncio.

O que as leituras fazem aqui

Fora do Tempo Comum, as leituras acompanham os acontecimentos: nascimento, tentação, morte, ressurreição, envio do Espírito. Dentro do Tempo Comum, elas acompanham sobretudo o ensino — os Evangelhos lidos de forma mais ou menos contínua, semana após semana, parábola após parábola. Nada está sendo comemorado. Algo está apenas sendo lido, em ordem, com paciência, como se lê qualquer coisa longa.

A estação dos trechos sem nada de especial

Há um presente escondido num calendário que dá nome ao trecho sem nada de especial e ainda por cima lhe dá uma cor. Quase toda uma vida não é dia de festa. Quase toda uma vida é uma terça-feira de agosto. Um calendário que marcasse só os picos sugeriria, sem dizer, que o resto é enchimento — tempo a suportar até que algo aconteça. O Tempo Comum recusa isso. Ele diz: estas trinta e tantas semanas, em que nada de particular se celebra, também são contadas. Também fazem parte do ano. Também têm sua cor.

Uma nota tranquila

Você não precisa fazer nada com o Tempo Comum. É justamente esse o ponto. Não há coroa para montar, nem jejum para guardar, nem ovos para pintar. Se você chega a notá-lo, nota do mesmo jeito que nota que as árvores estão verdes em julho — como um dado sobre onde você está, não como uma tarefa numa lista. E depois segue com a tarde.

O Bible Clock guarda a forma do ano litúrgico em 84 mostradores desenhados à mão, cada um com seu próprio versículo — para que uma longa estação verde te acompanhe em silêncio sem pedir nada. Uma única compra, sem assinatura, no iPhone, iPad, Mac e Apple Watch: https://apps.apple.com/us/app/verse-clock/id6783667599